Língua Portuguesa
Questão 5 de 85
Texto de apoio · Texto 1 32 linhas
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33.
No trecho: “Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado” (linhas 23-24), os termos destacados denotam a figura de linguagem denominada
-
Alternativa marcada
Alternativa A: catacrese, porque não tem um significado específico entre os termos, e o segundo elemento foi usado de forma aleatória. -
Alternativa marcada
Alternativa B: ironia, porque há a necessidade de mostrar termos com sentido contrário ao habitual para ilustrar a situação. -
Alternativa marcada
Alternativa C: paradoxo, porque não há lógica entre os termos e, na expressão, causam estranhamento. -
Alternativa correta
Alternativa D: metonímia, porque houve a substituição para evitar repetição, marcando entre eles uma relação de proximidade.
- Gabarito preliminar da CEV
- D
- Você marcou
- –
- Gabarito HubUECE
- D
O gabarito HubUECE bate com o da CEV.
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Resolução comentada
O que a questão pede
Trecho do romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo (2003). O comando pergunta qual figura de linguagem aparece na retomada de "trem" por "a máquina" nas linhas 23 e 24. Observe que vínculo existe entre um trem e uma máquina e para que serviu essa troca na frase. Ignore o drama da viagem: o que decide é o tipo de relação entre os dois nomes.
Passo a passo
- Veja como os dois termos se ligam nas linhas 23 e 24: na primeira oração, a narradora escreve que "Ponciá partiu no trem do outro dia" (linhas 23 e 24); na segunda, explica o motivo dizendo "pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado" (linha 24).
- Analise a natureza da troca: "a máquina" (linha 24) refere-se ao próprio "trem" (linha 23) citado antes, usando a locomotiva (o maquinário que puxa a composição) para designar o transporte inteiro sem precisar escrever a palavra "trem" duas vezes seguidas.
- Diga a figura com suas palavras antes de olhar as alternativas: quando um nome substitui outro por relação objetiva de contiguidade (a parte pelo todo, o mecanismo pelo veículo), temos uma metonímia. Fazer esse diagnóstico antes descarta figuras de oposição ou de falta de vocábulo.
- Marque a alternativa D: ela identifica a metonímia e explica tanto a função coesiva de não repetir o termo quanto o vínculo entre eles.
Alternativa por alternativa
-
Alternativa incorreta
Alternativa A: É a que mais pega quem confunde as figuras de substituição, mas catacrese só ocorre por falta de palavra específica na língua (como em pé da mesa ou braço da cadeira). Aqui o nome próprio do veículo já apareceu ("trem", linha 23), e "a máquina" (linha 24) não tem nada de aleatório.
-
Alternativa incorreta
Alternativa B: Procura um duplo sentido que não existe na cena. Chamar o "trem" (linha 23) de "a máquina" (linha 24) mantém o tom sério da partida de Ponciá, sem afirmar o oposto do que se quer dizer.
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Alternativa incorreta
Alternativa C: Vê contradição onde há parentesco direto. Como a locomotiva do "trem" (linha 23) é literalmente "a máquina" (linha 24) ferroviária, juntar os dois termos na mesma frase não cria ideias opostas nem falta de lógica.
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Alternativa correta
Alternativa D: Trocar "trem" (linha 23) por "a máquina" (linha 24) evita repetir o substantivo na oração seguinte e apoia-se na relação direta entre o maquinário da locomotiva e o veículo inteiro (metonímia).
Bizu da banca
A armadilha é confundir as figuras de troca de nomes e marcar catacrese na alternativa A. Na catacrese, usamos um termo emprestado porque não existe outro; aqui a palavra "trem" já está escrita na linha 23 antes de "a máquina" (linha 24). Regra: trocar um nome por outro de sentido próximo (parte pelo todo, mecanismo pelo veículo) para não repetir vocábulo é metonímia.
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