Filosofia
Questão 70 de 85
Atente para o seguinte trecho original da música Almirante Negro, censurada pela Ditadura Militar e gravada, com modificações, como “O Mestre-Sala dos Mares”, por Elis Regina, no álbum Elis, em 1974. Essa canção foi escrita em homenagem a João Cândido, militar brasileiro também conhecido como Almirante Negro, que, em 1910, liderou a Revolta da Chibata, erguendo-se contra os castigos corporais, remanescentes do passado escravocrata, dentro da Marinha brasileira: “Rubras cascatas jorravam das costas Dos negros pelas pontas das chibatas Inundando o coração do pessoal do porão Que a exemplo do marinheiro gritava não!” Bosco, João; Blanc, Aldir. Almirante Negro (Censurada). 1974. Nesse trecho da canção, identifica-se um princípio ético, a saber,
-
Alternativa marcada
Alternativa A: a obediência intransigente da norma legal. -
Alternativa marcada
Alternativa B: o cálculo da felicidade produzida pela ação. -
Alternativa marcada
Alternativa C: a honra individual e as virtudes do agente. -
Alternativa correta
Alternativa D: a postura de negação diante das injustiças.
- Gabarito preliminar da CEV
- D
- Você marcou
- –
- Gabarito HubUECE
- D
O gabarito HubUECE bate com o da CEV.
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Resolução comentada
O que a questão pede
Estrofe original da canção Almirante Negro (1974), de João Bosco e Aldir Blanc, sobre João Cândido e a Revolta da Chibata de 1910. O comando quer identificar qual princípio ético move a reação dos marinheiros retratada nos versos. Procure a atitude final do grupo diante dos castigos físicos. Ignore os dados biográficos da gravação de Elis Regina, que apenas contextualizam a censura da obra.
Passo a passo
- Identifique a situação ética apresentada no enunciado: a Revolta da Chibata de 1910 insurgiu-se contra os "castigos corporais, remanescentes do passado escravocrata", aplicados dentro da Marinha. Separar a norma militar vigente da reação dos marinheiros evita confundir o dever ético do poema com a simples obediência ao regulamento naval.
- Extraia o critério decisivo nos dois últimos versos: diante do sangue das chibatas, "o pessoal do porão" segue o marinheiro e "gritava não!". A ação ética central da estrofe não é cumprir ordens, calcular benefícios futuros nem exaltar dotes privados, mas recusar coletivamente uma opressão intolerável.
- Descarte as escolas éticas das alternativas A, B e C: a alternativa A descreve o legalismo estrito, que exigiria aceitar a chibata prevista no código militar; a alternativa B traz o cálculo utilitarista de prazer e dor, estranho à cena; a alternativa C fecha o foco na honra privada, quando o verso destaca a reação coletiva do "pessoal do porão".
- Marque a alternativa D: o fecho "gritava não!" diante das chibatas traduz diretamente "a postura de negação diante das injustiças".
Alternativa por alternativa
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Alternativa incorreta
Alternativa A: Inverte o sentido histórico e poético da Revolta da Chibata: os marinheiros romperam com a disciplina naval vigente justamente porque a norma autorizava a tortura física.
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Alternativa incorreta
Alternativa B: Importa a fórmula do utilitarismo clássico de Bentham e Mill, que avalia ações pelo saldo de prazer ou felicidade, critério ausente na denúncia imediata da tortura.
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Alternativa incorreta
Alternativa C: É a que mais pega porque a música homenageia a figura heroica de João Cândido, mas a estrofe citada desloca o centro ético para o grito coletivo de recusa do "pessoal do porão".
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Alternativa correta
Alternativa D: Traduz o gesto ético do último verso, em que a tripulação segue João Cândido e ergue um "não" coletivo contra a violência das chibatas.
Bizu da banca
A armadilha é se deixar levar pelo fato de a canção homenagear João Cândido e marcar a ética das virtudes e da honra individual na alternativa C, esquecendo que o trecho citado foca no "pessoal do porão" que "gritava não!". Regra: quando a questão cobrar o princípio ético de um poema ou canção, ancore a escolha no verbo de ação dos versos citados, não na biografia geral do homenageado.
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