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Por enquanto é a prova passada (UECE 2026.1), pra você testar. A 2027.1 entra hoje à tarde, quando a CEV publicar.
Gabarito preliminarPreliminar, publicado em 12/10 · 17:01
02
Linguagens e Códigos

Língua Portuguesa

Questão 2 de 85

Texto de apoio · Texto 1 32 linhas
Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado
do homem e de barriga para cima ficou com o olhar
encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no
chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados
um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam,
estava cansada, fraca para viver, mas coragem para
morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de
dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes,
se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande
vazio, repleto de nada e de nada.
Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado
onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava
cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir
e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver
a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas
mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida
trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior
parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da
luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para
amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns
conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que
poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E
avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro
dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado.
Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora,
ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada,
perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O
que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida
melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas!
Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que
perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva,
vivia.

EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33.

Os personagens apresentados pelo texto são predominantemente masculinos e não recebem nomes próprios. Isso ocorre porque

  1. Alternativa A: são muitos homens e há dificuldade de nomeá-los, neutralizando-os para facilitar a compreensão do enredo.
  2. Alternativa B: é uma história marcada pela subserviência dos personagens, servis à força de uma mulher determinada.
  3. Alternativa correta

    Alternativa C: há o interesse de destacar a força de uma mulher negra e as ações de mudanças em sua vida.
  4. Alternativa D: é a representação universal de brancos e negros que não se relacionam com a história da personagem.

Questão 2 · Tipo 3

Tá aqui o recorte da sua prova, do jeito que você viu no caderno. Se preferir ler assim, é só rolar.

Recorte da questão 2 no caderno Tipo 3
Gabarito preliminar da CEV
C
Você marcou
–
Gabarito HubUECE
C

O gabarito HubUECE bate com o da CEV.

Questão 2 · Língua Portuguesa

Resolução comentada

O que a questão pede

Trecho do romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo (2003). A pergunta quer saber por que os personagens masculinos aparecem sem nome próprio no fragmento. Compare quem recebe nome completo no texto com o papel que esses homens cumprem ao redor dela. Ignore a quantidade de grupos citados: o que decide é em quem o foco da narrativa se concentra.

Passo a passo

  1. Veja o que o comando pergunta: o texto cita vários homens sem nome próprio e dá nome completo a uma única personagem. O objetivo é descobrir que efeito essa escolha de nomeação produz na história.
  2. Localize como cada personagem é chamado no texto: a protagonista abre o primeiro e o segundo parágrafos como "Ponciá Vicêncio" (linhas 1 e 11). Já os homens aparecem só pela relação ou pelo grupo social: "do homem" (linha 2), "os homens" (linha 16), "dos senhores" (linha 17), "aos coronéis" (linha 18) e "do irmão" (linha 25).
  3. Observe quem age na narrativa: enquanto o povo vive preso nas "terras dos senhores" (linha 17), é Ponciá quem "resolveu sair do povoado" (linha 11) para "traçar outros caminhos, inventar uma vida nova" (linha 22). Nomear apenas a protagonista concentra a luz na identidade e na decisão dela.
  4. Formule a resposta com suas palavras antes de ler as alternativas: os homens ficam sem nome para que toda a atenção recaia sobre a trajetória da protagonista e sua tentativa de mudar o próprio destino. Isso evita cair em explicações sobre dificuldade de dar nomes ou submissão masculina.
  5. Compare e marque a alternativa C: é a única que explica o apagamento dos nomes masculinos pelo destaque dado à mulher negra e às atitudes de transformação na vida dela.

Alternativa por alternativa

  • Alternativa incorreta

    Alternativa A: Confunde escolha estética com limite técnico. Mesmo personagens individuais, como o companheiro em "ao lado do homem" (linhas 1 e 2) e o parente em "se despedir do irmão" (linha 25), ficam sem nome, o que mostra que a escolha não vem da quantidade de pessoas.

  • Alternativa incorreta

    Alternativa B: É a que mais pega quem lê rápido a relação entre a protagonista e os homens, mas inverte quem manda em quem. No campo, o povo trabalha nas "terras dos senhores" (linha 17) e entrega a colheita "aos coronéis" (linha 18); em casa, "O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia" (linhas 7 e 8).

  • Alternativa correta

    Alternativa C: Dar nome próprio apenas a "Ponciá Vicêncio" (linhas 1 e 11) coloca no centro da cena a identidade da protagonista negra e sua iniciativa de "traçar outros caminhos, inventar uma vida nova" (linha 22).

  • Alternativa incorreta

    Alternativa D: Nega o vínculo direto desses grupos com a vida de Ponciá. Brancos e negros formam o próprio mundo de onde ela quis sair, cansada "de ir e vir às terras dos brancos" (linhas 13 e 14) e "De ver a terra dos negros coberta de plantações" (linhas 14 e 15).

Bizu da banca

A armadilha está em ler "predominantemente masculinos e não recebem nomes próprios" no enunciado e achar que são muitos para nomear (alternativa A) ou que obedecem a Ponciá (alternativa B). No texto, até "O homem" (linha 7) e "do irmão" (linha 25) ficam sem nome. Regra: quando a narrativa nomeia só a protagonista e chama os demais pelo papel social, o foco está na identidade e nas escolhas dela.

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