Filosofia
Questão 72 de 85
“As teorias do contrato social consideram o Estado-nação sua unidade básica. São obrigadas a fazer isso em função de razões internas à estrutura de suas teorias. Tais teorias não podem fornecer abordagens adequadas a problemas de justiça global, isto é, de justiça que lide com desigualdades entre nações ricas e pobres, e entre seres humanos de qualquer nação. Para solucionar esses problemas, devemos avaliar a complexa interdependência de cidadãos de diversas nações, as obrigações morais tanto de indivíduos quanto de nações com relação a outras nações, e o papel das entidades transnacionais (corporações, mercados, organizações não governamentais, acordos internacionais) em assegurar às pessoas as oportunidades mais básicas para uma vida humana completa.” NUSSBAUM, Martha. Fronteiras da justiça: deficiência, nacionalidade, pertencimento à espécie. Trad. Susana de Castro. São Paulo: Martins Fontes, 2013, p.112. Na sua crítica ao modelo contratualista de tratar a relação das nações, Martha Nussbaum propõe uma teoria capaz de
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Alternativa marcada
Alternativa A: defender as fronteiras e soberania nacional, organizando a cidadania como fundamento. -
Alternativa marcada
Alternativa B: restaurar a paz e a harmonia entre os povos, que costumavam ser o lastro das relações nacionais no passado. -
Alternativa correta
Alternativa C: articular a relação entre as diversas capacidades dos povos dentro de uma estrutura de justiça transnacional. -
Alternativa marcada
Alternativa D: reconhecer a impossibilidade de haver uma norma universal que possa envolver os múltiplos modos de vida.
- Gabarito preliminar da CEV
- C
- Você marcou
- –
- Gabarito HubUECE
- C
O gabarito HubUECE bate com o da CEV.
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Resolução comentada
O que a questão pede
Trecho de Fronteiras da justiça (2013), de Martha Nussbaum. O comando pergunta o que a teoria proposta pela autora deve fazer para superar a falha do contratualismo diante das desigualdades mundiais. Procure no final do excerto quais agentes precisam atuar e o que deve ser garantido às pessoas de qualquer país. Ignore a explicação inicial sobre a estrutura interna do contrato social.
Passo a passo
- Separe a crítica ao contratualismo da proposta de Martha Nussbaum: nas três primeiras frases de Fronteiras da justiça, a autora mostra que o contrato social toma o "Estado-nação" como unidade básica e falha diante das desigualdades globais. Distinguir o alvo da crítica da tese autoral evita marcar como resposta o próprio modelo estatal que ela rejeita.
- Extraia do período final os dois pilares da solução proposta: o primeiro é ultrapassar as fronteiras estatais incluindo "entidades transnacionais" e deveres entre países; o segundo é garantir a seres humanos de qualquer nação "as oportunidades mais básicas para uma vida humana completa", expressão que define a abordagem das capacidades de Nussbaum.
- Elimine as alternativas A, B e D pelo confronto com o texto: a alternativa A fecha a justiça na soberania nacional, que é justamente o defeito criticado na primeira frase; a alternativa B inventa uma nostalgia de paz no passado; a alternativa D nega normas universais, enquanto a autora exige oportunidades básicas para "seres humanos de qualquer nação".
- Marque a alternativa C: ela conecta a garantia das capacidades humanas de cada povo a uma arquitetura de justiça transnacional que opera além das fronteiras do Estado-nação.
Alternativa por alternativa
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Alternativa incorreta
Alternativa A: É a que mais pega quem associa teorias da justiça ao Estado moderno: toma como resposta da autora aquilo que ela aponta como a limitação estrutural do contrato social logo na abertura.
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Alternativa incorreta
Alternativa B: Inventa uma idade de ouro das relações internacionais: o texto trata de desigualdades econômicas e morais contemporâneas, sem qualquer apelo a restaurar uma harmonia do passado.
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Alternativa correta
Alternativa C: Sintetiza a abordagem das capacidades de Nussbaum: superar o limite territorial do Estado-nação por meio de obrigações e instituições transnacionais que assegurem condições básicas de vida digna.
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Alternativa incorreta
Alternativa D: Confunde o respeito à pluralidade com a recusa de parâmetros globais: Nussbaum defende um patamar ético válido para "seres humanos de qualquer nação".
Bizu da banca
A armadilha é confundir o diagnóstico da primeira linha, onde aparece o "Estado-nação", com a tese da autora e marcar a alternativa A. Regra: em textos que abrem expondo uma teoria alheia para criticá-la, separe a posição criticada na abertura da proposta autoral introduzida por expressões como "Para solucionar esses problemas".
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