Filosofia
Questão 68 de 85
Sobre a interpretação das pinturas rupestres de Várzea Grande, no Piauí, a arqueóloga brasileira Niède Guidon (1933-2025) afirma: “cada cultura tem sua própria maneira de ver, reconhecer e representar seres ou coisas. Em outras palavras, quando um homem desenha um determinado animal, ele o faz de acordo com convenções geralmente aceitas em sua cultura. Assim, um desenho inclui características significativas para identificação, mas também pode incluir outras que representam uma contribuição pessoal do designer e, por isso, são incomuns”. GUIDON, Niède. Peintures rupestres de Várzea Grande: Piauí, Brésil. Paris: Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, 1975., p.42. (Adaptado). No que diz respeito à epistemologia apresentada por Guidon, é correto afirmar que
-
Alternativa marcada
Alternativa A: há estruturas fundamentais do entendimento em toda agência intelectual humana, o que garante que possamos nos entender sobre o mundo que nos cerca e sobre a verdade desse entendimento. -
Alternativa correta
Alternativa B: a consciência do mundo não é determinada universalmente, mas por estruturas culturais compartilhadas e localizadas no tempo e no espaço e, em algum grau, por perspectivas subjetivas. -
Alternativa marcada
Alternativa C: as formas animais são universais válidos para todos os povos; o que varia é a fauna com a qual o homem lida em cada caso, mas que logo pode ser superada pela ciência dos novos espécimes. -
Alternativa marcada
Alternativa D: a consciência que temos do mundo é uma relação subjetiva nossa com o mundo, não sendo possível uma identidade entre as perspectivas e experiências particulares dos diversos sujeitos.
- Gabarito preliminar da CEV
- B
- Você marcou
- –
- Gabarito HubUECE
- B
O gabarito HubUECE bate com o da CEV.
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Resolução comentada
O que a questão pede
Trecho de Peintures rupestres de Várzea Grande (1975), da arqueóloga Niède Guidon. O comando quer saber como o conhecimento e a representação do mundo funcionam segundo a autora. Procure no excerto o que orienta o homem ao desenhar um animal e o que explica os traços incomuns da figura. Ignore a localização das pinturas no Piauí, que só contextualiza a pesquisa arqueológica.
Passo a passo
- Situe o problema epistemológico do excerto: ao analisar a arte rupestre, Niède Guidon investiga como os seres humanos conhecem, reconhecem e representam o mundo ao redor. Mapear se essa representação nasce de leis universais da mente, de códigos culturais ou de impressões privadas evita cair em alternativas extremas.
- Extraia o critério de decisão nas duas pontas da citação: a primeira ponta diz que o desenho segue "convenções geralmente aceitas em sua cultura" para permitir a identificação; a segunda diz que ele inclui uma "contribuição pessoal do designer". A resposta precisa unir o código coletivo de cada povo e a margem de criação individual.
- Elimine os extremos nas alternativas A, C e D: as alternativas A e C defendem estruturas ou formas universais para todos os povos, o que contradiz a abertura "cada cultura tem sua própria maneira de ver". Já a alternativa D cai no extremo oposto ao negar qualquer ponto em comum entre os sujeitos, ignorando as convenções que permitem reconhecer a figura.
- Marque a alternativa B: ela traduz as convenções da cultura em "estruturas culturais compartilhadas" e a marca do autor em "perspectivas subjetivas", unindo exatamente as duas dimensões descritas por Guidon.
Alternativa por alternativa
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Alternativa incorreta
Alternativa A: Troca o relativismo cultural de Guidon por um apriorismo de tipo kantiano, como se todo intelecto humano operasse com as mesmas categorias universais, contra a tese de que "cada cultura tem sua própria maneira de ver".
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Alternativa correta
Alternativa B: Une as duas dimensões apontadas por Guidon: o código coletivo de cada grupo humano e a margem para a marca individual de quem produz a representação.
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Alternativa incorreta
Alternativa C: Confunde convenção cultural com variedade biológica da fauna e atribui às formas desenhadas uma validade universal que o texto nega do início ao fim.
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Alternativa incorreta
Alternativa D: É a que mais pega quem lê "contribuição pessoal do designer" no fim do trecho e esquece a metade anterior, tomando a representação como algo puramente privado e incomunicável.
Bizu da banca
A armadilha está em ler só o final sobre a "contribuição pessoal do designer" e marcar o subjetivismo fechado da alternativa D, ou procurar uma regra única nas alternativas A e C. Regra: quando um texto de epistemologia articula convenção coletiva e traço individual, corte toda alternativa que afirme o universalismo absoluto ou a incomunicabilidade total.
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